IT-02 e o comportamento do fogo: princípios de ignição, propagação e controle segundo o Corpo de Bombeiros
Entender o comportamento do fogo é um dos pilares da engenharia de segurança contra incêndio. Antes de falar em sistemas, normas específicas ou exigências do Corpo de Bombeiros, é fundamental compreender como o fogo nasce, se desenvolve, se propaga e pode ser controlado.
A IT-02 do Corpo de Bombeiros, ao tratar dos conceitos básicos de segurança contra incêndio, dedica grande atenção ao comportamento do fogo justamente porque todas as medidas de proteção — passivas ou ativas — são consequência direta desse entendimento. Projetar sem dominar esses princípios é aplicar soluções sem lógica técnica.
Neste artigo, vamos aprofundar os conceitos de comportamento do fogo segundo a IT-02, conectando norma, física do incêndio e decisões práticas de projeto.
Comportamento do fogo e sua importância na segurança contra incêndio
O comportamento do fogo descreve a forma como o incêndio se inicia, evolui e interage com o ambiente ao seu redor. A IT-02 deixa claro que compreender esse comportamento é essencial para definir estratégias eficazes de prevenção, proteção e combate.
O fogo não é um evento estático. Ele evolui rapidamente, altera temperaturas, produz gases tóxicos, compromete estruturas e reduz drasticamente o tempo disponível para evacuação. Por isso, a análise do comportamento do fogo vai muito além da simples presença de chamas.
Profissionais que ignoram esse conceito tendem a superdimensionar sistemas ou, pior, subdimensionar riscos, criando uma falsa sensação de segurança que pode ser fatal em situações reais.
Triângulo e tetraedro do fogo no entendimento do comportamento do fogo
O comportamento do fogo é explicado, inicialmente, pelo triângulo do fogo, composto por três elementos indispensáveis: combustível, comburente e calor. A ausência de qualquer um deles impede a existência do incêndio.
A evolução desse conceito leva ao tetraedro do fogo, que acrescenta a reação em cadeia como quarto elemento. A IT-02 utiliza esse conceito para explicar por que alguns incêndios se mantêm e se intensificam mesmo após tentativas iniciais de controle.
Entender o triângulo e o tetraedro do fogo é essencial para compreender como e por que diferentes métodos de extinção funcionam, pois cada método atua na eliminação de um desses elementos.
Fontes de ignição e sua relação com o comportamento do fogo
As fontes de ignição são elementos fundamentais no estudo do comportamento do fogo. Elas representam o ponto inicial do incêndio e estão diretamente ligadas à prevenção.
A IT-02 aborda fontes de ignição como:
- Falhas elétricas
- Superaquecimento de equipamentos
- Chamas abertas
- Atrito mecânico
- Reações químicas
Identificar corretamente essas fontes permite reduzir drasticamente o risco de incêndio. Quando ignoradas, o incêndio deixa de ser uma possibilidade remota e passa a ser uma consequência previsível.
Formas de propagação e o comportamento do fogo nos ambientes
A propagação do fogo é um dos aspectos mais críticos do comportamento do fogo analisados pela IT-02. O incêndio não se limita ao ponto de origem — ele se espalha de forma rápida e muitas vezes imprevisível.
A IT-02 define três principais formas de propagação:
- Condução, pela transferência de calor entre materiais sólidos
- Convecção, pelo deslocamento de gases quentes e fumaça
- Radiação, pela transferência de calor por ondas eletromagnéticas
Compreender esses mecanismos é fundamental para decisões como compartimentação, afastamento entre edificações, escolha de materiais e posicionamento de sistemas de detecção e combate.
Desenvolvimento do incêndio e suas fases
O comportamento do fogo também é analisado por meio das fases de desenvolvimento do incêndio. A IT-02 considera que o incêndio evolui de forma progressiva, alterando rapidamente o cenário de risco.
De forma geral, o incêndio passa por:
- Fase inicial ou incipiente
- Crescimento
- Incêndio plenamente desenvolvido
- Decaimento
Cada fase apresenta riscos específicos, e os sistemas de proteção são pensados para atuar principalmente nas fases iniciais, quando o controle ainda é viável e o risco à vida é menor.
Controle e extinção no comportamento do fogo segundo a IT-02
O controle e a extinção são respostas diretas ao comportamento do fogo. A IT-02 deixa claro que extinguir um incêndio significa interromper o tetraedro do fogo, eliminando pelo menos um de seus elementos.
Os métodos de extinção atuam por:
- Resfriamento
- Abafamento
- Isolamento do combustível
- Interrupção da reação em cadeia
A escolha do método correto depende diretamente do comportamento do fogo, do tipo de combustível envolvido e do ambiente atingido. Aplicar o método errado pode agravar o incêndio e colocar vidas em risco.
Impacto do comportamento do fogo na escolha dos sistemas de proteção
Todo sistema de proteção contra incêndio é uma resposta técnica ao comportamento do fogo. A IT-02 serve como base conceitual para essa escolha.
Sistemas como:
- Detecção e alarme
- Extintores
- Hidrantes
- Sprinklers
- Sistemas especiais de supressão
só fazem sentido quando aplicados de acordo com o comportamento esperado do fogo naquele ambiente.
Profissionais que dominam esses conceitos conseguem projetar sistemas mais eficientes, seguros e alinhados com a realidade do risco, evitando soluções genéricas ou inadequadas.
Por que dominar o comportamento do fogo eleva o nível profissional
Dominar o comportamento do fogo significa compreender a lógica por trás das normas e exigências do Corpo de Bombeiros. Esse conhecimento permite ao profissional sair do modo “executar norma” e entrar no modo analisar risco.
Esse domínio gera:
- Decisões técnicas mais seguras
- Projetos mais coerentes
- Melhor comunicação com o Corpo de Bombeiros
- Autoridade técnica perante clientes e equipes
É exatamente esse tipo de conhecimento que diferencia o profissional comum do especialista em segurança contra incêndio.
Conclusão: entender o comportamento do fogo é indispensável
A IT-02 deixa claro que não existe projeto de segurança contra incêndio eficiente sem o entendimento do comportamento do fogo. Ignorar esses princípios é tratar o incêndio como um evento simples, quando ele é extremamente complexo e dinâmico.
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